terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O País Tradicional e a Pequena Exploração Agrícola Autónoma


Portugal agrícola anos 20


Convém desde já frisar que o autor viveu em Angola até 1975, embora tivesse vindo a Portugal em 1952 (com 13 anos) em 1958 (com 19 anos) e diversas vezes de 1963 a 1975,o que em termos de registo de memória facilita a sua compreensão quanto ao tema que hoje aborda.

Vínhamos dizendo no nosso boletim de Julho que o pequeno empresário agricultor obtinha a sua formação através do contacto com os membros da geração que o antecediam e que incluía uma polivalência essencial à sobrevivência de uma pequena empresa. Aprendia a construir alguns instrumentos mais simples, o que implicava uma menor dependência em relação aos serviços prestados pelos especialistas dos diferentes ofícios e acrescentava  a arte de lavrar a terra e as técnicas essenciais à preservação do solo e ao equilíbrio dos ecossistemas.

Em relação à floresta tomava conhecimento prático não só no que dizia respeito ao corte das madeiras mas, também do desbaste para a produção de adubos orgânicos e energia. A este conjunto  de artes juntava o domínio da pecuária onde o agricultor deveria de conhecer todas as técnicas necessárias à gestão de uma pequena  da pecuária, não só no que diz respeito à produção, criação e abate mas também no que se referia à preparação das carnes e peles.

Este empresário agricultor completava o seu profundo saber tradicional com o domínio das técnicas de transporte, quer utilizasse animais ou carros de tracção animal.

No inicio do século XX, na sociedade tradicional portuguesa, o modelo de empresa era essencialmente o da pequena exploração agrícola, sendo importante fazer desde já uma distinção entre o gestor e a cultura organizacional predominante no Norte ( minifúndio) e o outro gestor e a cultura organizacional no sul (latifúndio). O primeiro caso era caracterizado sobretudo, pela escassez de contactos, ou melhor o pequeno empresário agricultor, que adquiria a formação  fornecida pelos contactos com os membos da geração anterior. A aprendizagem era um tanto complexa uma vez que exigia do agricultor uma polivalência que lhe assegurasse a sobrevivência da pequena empresa adquirindo conhecimentos nas mais variadas áreas, usufruindo assim de uma certa independência relativamente aos especialistas dos diferentes ofícios.

Toda a actividade familiar repousava na expansão da propriedade, sendo esta considerada a base da subsistência, era o maior bem, de tal modo que eram até realizados e combinados casamentos de “interesse” que proporcionassem a expansão da propriedade agrícola, havendo que distinguir entre o agricultor denominado “rico” e o agricultor “remediado” ( que mesmo tendo algumas posses,   tinha necessidade  de trabalhar para terceiros). Para além destes devera mencionar-se o agricultor “pobre” , que era “proprietário” de um casebre e dez palmos de terra. As relações de trabalho subordinado, geralmente, recebia como compensação, por exemplo, vinho, toucinho, pão, etc. e raramente dinheiro. Existiam porém, casos em que os trabalhadores prescindiam da compensação, tratando-se neste caso não de relações de trabalho mas de inter ajuda. Em contraponto ao sul do país encontravam-se as grandes propriedades agrícolas. Os proprietários ao contrário dos pequenos agricultores encontravam-se afastados da condução  directa da exploração já q eu viviam nas vila e nas principais cidades e até mesmo na capital.

A questão da produção acabava por ficar a cargo dos denominados “feitores” ou “caseiros” que eram escolhidos em função da sua experiência e sobretudo da sua lealdade para com os patrões. Apear de possuírem alguma experiência, estes gestores intermédios não detinham a mesma polivalência que os pequenos agricultores autónomos, necessitando assim, de alguma especialização m determinadas áreas tendo também a seu cargo certos trabalhadores ditos proletários ou agricultores mais pobres encarregues de tarefas específicas. Para assegurar a sua subsistência eram sujeitos a uma disciplina algo desumana, de forma a garantir o seu salário. As relações que exigiam esta disciplina eram consideradas bastante diferentes das relações de inter ajuda já mencionadas.

Poderíamos também encontrar, nesta altura algumas oficinas e pequenas unidades industriais nas vilas e cidades, bem como em algumas aldeias de maior dimensão, devido à proximidade de locais favoráveis ao comércio sendo de destacar a proximidade dos rios que lhes garantissem energia hídrica. Estas oficinas e unidades industriais permitiam o abastecimento regional e nacional.

A organização destas pequenas empresas era semelhante à das pequenas e médias empresas agrícolas, vendiam nos mercados e feiras locais devido à deficiente rede de transportes existente na altura. No entanto, com desenvolvimento progressivo dessa mesma estrutura, alargaram-se os horizontes do mercado potencial, permitindo então, aos empresários chegar até à capital de outros centros urbanos do país, ou mesmo até centros de negócios no estrangeiro.

O desenvolvimento progressivo destas pequenas unidades industriais iriam acentuar a necessidade de recrutar trabalhadores com melhores habilitações, vindo posteriormente a ser apelidados de “colarinhos brancos”, por ocuparem lugares de prestigiados embora mal pagos e eram recrutados em consequência da troca de favores. Em indústrias de maiores dimensões estes “colarinhos brancos” eram colocados em escalões mais elevados e relativamente bem pagos.

Mais tarde, durante a 1ª Guerra Mundial surgiu  a primeira fase da nova revolução industrial a partir da expansão do mercado relativamente a alguns produtos ainda a facilidades de exportação promovidas pela conclusão da rede de caminhos de ferro e pela construção de pontes que possibilitavam o escoamento de grande parte da exportações portuguesas.

Saudações Rotarias
José Carlos Oliveira



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Capítulo 2

A Indústria Portuguesa do inicio dos anos 30 do seculo XX

No capitulo anterior acabamos dizendo que a 1ª Grande Guerra fez imergir uma nova faceta da revolução industrial que sofisticou a expansão das relações mercantis, com a inovação de um novo modelo de transporte continental “ o caminho de ferro”; e naturalmente as infra-estruturas arquitectónicas inerentes aos acidentes de terreno, as grandes pontes, possibilitando assim às maiores companhias nacionais e multinacionais o rápido escoamento para os portos de embarque e desembarque.

Tornou-se necessária a emergência de uma nova classe de empresários para aproveitar as novas condições do mercado interno e externo. Foi um período em que os mercados tudo absorviam. Os fabricantes não necessitavam de se preocupar com a qualidade, as colónias lá estavam para garantir o que de pior se fabricava. Esta elite só estava preocupada em garantir a sua afirmação social bem como a de seus filhos, em vez de assegurar a renovação, os processos tecnológicos e a pesquisa de mercados alternativos.

Tal como no resto da Europa e da América, a insuficiente mão de obra masculina criava sérias dificuldades, o seu custo tornava-se incompatível, a mais qualificada partia para a América e Norte da Europa e a indiscriminada preparava-se para a grande aventura de África. 

Algumas das novas empresas industriais começavam a recorrer à mão-de-obra feminina. Note-se que a grande maioria de homens ou mulheres, recrutados pelas novas unidades fabris, eram geralmente camponeses e procuravam emprego certo. Em algumas regiões este fenómeno esteve na base do êxodo rural e da consequente proletarização dos migrantes internos. As relações nas empresas sociais industriais assemelhavam-se às grandes empresas agrícolas, o que significava o abandono do sistema de inter-ajuda e respeito mútuo, tradicional na sociedade rural. O desenvolvimento destas empresas veio exigir aumento dos empregados no sector terciário que passaram a ser recrutados entre os jovens que completavam o primeiro ciclo dos liceus (o antigo quinto ano).

Nesta primeira fase da renovação industrial, quer a agricultura quer o sector terciário sofreram grandes alterações e um ramo se distinguiu na selecção do pessoal recrutado, a banca comercial e consequentemente a área dos seguros, sem esquecer a implementação de serviços necessários à moderna inovação de transportes, o automóvel.

Foi na primeira metade do século XX que as empresas industriais de grande dimensão se expandiram, a coberto de pautas aduaneiras preferenciais para os artigos coloniais por elas fabricados. Estávamos então no rescaldo da 2ª Grande Guerra, e este fenómeno arrastou a economia portuguesa que se viu novamente forçada a tentar acompanhar o desenvolvimento da economia mundial, embora sem grande sucesso, diga-se de passagem. A política paternalista do Estado Novo, era levada a cabo por um escasso número de empresários o que não impedia o Estado de não estar atento à instrução escolar pós liceal. Esta situação precipitou uma nova vaga de técnicos, os licenciados pelas universidades de Lisboa e Porto. Tornou-se evidente a selecção do trigo do joio. Apesar do esforço, era notória a escassez de diplomados universitários (entenda-se que a política do Estado Novo continuava a forçar a emigração tanto legal como clandestina, e tinha as suas razões). Até aos anos sessenta o sector dos recursos humanos, dentro das empresas e dos organismos estatais, era uma secção gerida por alguém de confiança da administração, sem grandes habilitações literárias. Só a partir dos finais dos anos cinquenta, (havia motivos políticos para este estado de coisas), se começaram a recrutar profissionais com cursos superiores da área das ciências sociais.

Foi nesta época, a meados do século XX que em Portugal se operou um fenómeno no meio empresarial privado e do estado importado dos EUA: o Movimento Rotário. Podemos de grosso modo visioná-lo assim: “Um homem, humanisticamente bem preparado, teve uma ideia, montou uma engrenagem humana, organizou os elementos adequados e necessários, e pôs em marcha uma organização sem distinção de cor ou credo em prol do bem da humanidade. 

Nenhum ser humano de bom senso, digo eu, deixará de perceber a sua relativa precariedade, mas isso é próprio do homem. Curiosamente, esta nova cultura empresarial atravessou uma grande dificuldade: a desconfiança com que o Estado Novo olhava este tipo de associações. Porém, não devemos cair na crítica fácil. A complexidade das relações internacionais em que o Escol português se via então envolvido, dificilmente permitiria “aventuras”.

Ainda haveria de passar muita água por debaixo das pontes até que o cordão umbilical “ultramarino” se quebrasse, e apesar das tremendas dificuldades passadas pela sociedade portuguesa de então, “o tempo e o vento”, viria a preparar uma nova cultura organizacional nas empresas e, desta feita virada para os destinos da Europa. 


Saudações Rotarias
José Carlos Oliveira

domingo, 1 de janeiro de 2012

O “club” e o seu significado



Este texto  foi compilado da Internet, programa Google
No dia 1 de Dezembro de 1907, no Campo da Quinta Nova, em Carcavelos, o Sport Lisboa e o Sporting defrontaram-se para o Campeonato de Lisboa. Ninguém poderia adivinhar que seria um dia para a memória do país.
Os jogos entre os eternos rivais lisboetas já viram, entretanto, gente assassinada e gente a morrer de aflição; foram interrompidos ao soco e à navalhada; tiveram um brinco perdido num pontapé violento e num golo soberbo; tiveram uma equipa a entrar em campo só com dez jogadores, e a ganhar apesar disso, tiveram um árbitro expulso por expulsar um jogador; tiveram marechais e coronéis, presidentes do conselho e da República; geraram manifestações políticas e movimentos cívicos, tiveram desistências e abandonos, multidões ávidas e jogadores únicos, alegrias e tristezas, lágrimas e sorrisos, opulência e miséria como tudo o que é profundamente humano...

Mas esta introdução serve de paradigma  ao conceito de “Club”? Finalizamos o capítulo anterior com a emergência de um elemento novo na sociedade portuguesa em meados do século vinte: o movimento rotário. Sobre ele demos uma imagem, agora vamos inseri-lo no contexto da época. 

Novamente, e por uma questão de referência às fontes o autor esclarece que o presente capítulo tem como base um texto publicado por João Pereira Neto (1983) “A Classe Média Portuguesa num Contexto de Mudança” e claro está que a minha observação directa e participante ao longo de cerca de 25 anos (intermitentemente), 1º no Rotary Club do Entroncamento como sócio fundador e agora no Rotary Club de Caldas da Rainha permitiram uma certa equação pessoal e autoridade face ao tema.

No que se refere à sistematização convém identificar antes do mais o período entre o pós 2ª grande guerra e o inicio da guerra colonial (1961), para de seguida avançarmos no marco que foi o 25 de Abril de 1974, data em que ocorreu a mudança de regime. Nessa altura a maior parte da empresas portuguesas apresentava uma cultura organizacional muito parecida com a da sociedade tradicional de predominância agrícola, em resultado de uma evolução lenta e inadequada às mudanças ocorridas nos restantes países europeus durante os anos sessenta. No que concerne ao sector terciário, a situação diferia dos restantes sectores devido ao prestígio tradicional do “colarinho branco” que permitia o ingresso no sector público e privado de jovens com habilitações secundárias e superiores.

O autor aproveita mais uma vez, para a eventualidade de se virem a verificar criticas e rectificações que este estudo virá a estar na base de pesquisa futura a desenvolver dentro do âmbito da cultura organizacional dos Rotary Clus em Portugal. Convirá referir que o clube era o prolongamento da própria casa, a sala de reunião comum, onde de vez em quando se levavam convidados estranhos à causa mas do mesmo nível social.

É interessante transcrever o que a Enciclopédia Verbo nos diz sobre o vocábulo Club e entre outras definições diz o seguinte: “...Veio depois, a designar a quota que se pagava para pertencer às assembleias constituídas por vínculos sociais ou interesses similares…Os clubes modernos nasceram na Inglaterra na época isabelina. A criação do Clube deve ter influenciado o aparecimento da maçonaria. Ou pelo menos a sua reestruturação no século XVIII. Sabe-se que o poeta Tomás Hocclve , ou Occlve (séc XIV-XV) pertencia a um dining club… É enorme a influência dos Clubes na vida histórica e cultural inglesa… Robespierre tomou o comando das operações (Revolução Francesa) criando  o Cordeliers com Danton à frente. Também o abade de Sant Pierre, Montesquieu e o duque  de Noirmontiers haviam fundado o Clube de L’Entresol, de que saiu a Academia das Ciências Morais e Politicas…

Há mais de 100 anos que as reuniões dos Rotary Clubs Rotary, se iniciam com o tocar de um sino.

A imagem acima retrata os primeiros membros em reunião já formal do “Rotary Club”, nela podemos identificar à esquerda Paul Harris.

Uma vez gizado o conceito, debrucemo-nos agora para a sua contextualização em Portugal. Tdos os clubes tinham o seu tipo socioprofissional de associados e estes só pertenciam a um embora houvessem excepções. Todas as terras, em especial as cidades tinham os seus clubes e o seu número correspondia ao número de classes localmente existentes, sendo que o clube de referencia (de maior prestígio) era simplesmente designado pelo termo “Clube”, que como atrás referimos denotava a sua origem inglesa e que por similitude com os “casinos espanhóis” incorporava os membros das profissões liberais, os mais influentes membros das forças armadas, os maiores industriais e proprietários rurais bem como membros das famílias aristocráticas até funcionários públicos das categorias mais elevadas. Uma nota: a maior ambição de um membro das classes mais baixas era ser aceite ( por voto secreto) como um igual, pelos membros de um “Clube”.

A esta associação seguia-se o “Grémio ou o Ginásio”, que na nossa vizinha Espanha albergava os industriais e comerciantes mais importantes, alguns sargentos casados com senhoras da sociedade local e também os mais graduados empregados “colarinhos brancos”da zona. E assim se iam formando Clubes representativos das associações de classe. Depois destes clubes cabia a vez da associação campesina, dos assalariados, dos pescadores que muito se orgulhavam de pertencer à “Filarmónica” ( a que pertenceu o avô do autor que como presidente da Banda Filarmónica de Torres Novas, recorrendo muita vez  “ao bolso” da mulher para acudir à “sua Filarmónica”.

Resta-me acrescentar que a Classe Média portuguesa, era francamente conservadora, muito pouco interessada em mudanças que afectassem o seu prestígio que não era abalado pelas tensões existentes na sociedade portuguesa devido à sua base patrimonial, embora aqui e ali já se fizessem sentir os efeitos do desenvolvimento  que nas zonas mais industrializadas conduziram à emergência de uma nova classe média. Por estes motivos os empresários “mais avisados”  começaram a sentir  necessidade de mudança e ser eles a proporem às suas organizações mudanças no sentido de correrem os menores riscos e consequentemente prepararem-se para aceitar o novo modelo de trabalho nas suas organizações…


Saudações Rotarias
José Carlos Oliveira



sábado, 31 de dezembro de 2011

O Rotary Club por Dentro

Rotary Club das Caldas da Rainha anos 50

Foram poucos, muito poucos, aqueles que o 25 de Abril não apanhou desprevenidos, houve até quem escapasse por uma unha negra. Nesse dia eu estava em Lisboa, de  passagem para a Alemanha com a finalidade de comprar o último grito em máquinas de bordar electrónicas. Só consegui embarcar depois do dia 10 de Maio.

Era o fim dos “ botas de elástico…” que queria dizer o fim dos “velhos do Restelo” Já tinham desaparecido há décadas os “manga de alpaca”. Tratava-se de  mangas postiças usadas pelos funcionários administrativos, e guarda livros para pouparem o fatos. Tempos em que se comprava o primeiro fato quando se ia “às sortes” (prestar provas para incorporação no serviço militar). Era  gente zelosa mas rotineira, serviam de pouco.~

Os armazenistas pouca  noção tinham da eficácia  dos contabilistas. Era o tempo das contas rápidas de cabeça. Olhava-se  para o burro observando-lhe os dentes e estabelecia-se o preço. Os porcos eram comprados a olho na feira semanal. Os comerciantes batidos ofereciam um tanto por determinado lote de tecidos. Entretanto  o sistema Ruf dava os primeiros passos nas contas do Deve e do Haver. Foi muito útil á evolução da contabilidade o advento da máquina de escrever. As pequenas e médias empresas iam copiando o que podiam das grandes empresas, para se modernizarem. Foi grande a revolução no sistema contabilístico. Ainda estava para chegar a contabilidade mecanizada. 

Apesar de todos estes avanços, os patrões (leia-se empresários) quando solicitavam algum dado relevante era só para conferirem as suas previsões empíricas.

Foi este tipo de lideres que preencheu a democratização dos clubes rotários. Homens novos, sangue novo, uma vez convidados para assistir a uma reunião de rotary, ficavam francamente maravilhados com o a ideia do estimular e fomentar o ideal de servir com  base em todo o empreendimento digno. Daí a ser convidado a ingressar no prestigiado club  era um passo. Significava que o visado tinha um perfil empreendedor e essencial-mente passava a prestar um serviço à comunidade em vez de fazer do seu próprio ego, norma e processo do seu trabalho.

Servir através da profissão era coisa em que nunca tinha pensado, sentia-se agora um homem nobre.
O servir profissionalmente é o permanente desafio que se coloca a um rotário, é ate a característica principal que o define.  Rotary 

Estavam então reunidas todas as condições para o advento  do homem novo que aí vinha. Havia que aproveitar as transformações, apesar das incertezas.
Os associados dos clubes rotários tratam-se por companheiros, com vontade  pioneira num empreendimento que exige coragem, inspiração por um ideal comum, com a finalidade de tomarem decisões colegiais através de afincado  trabalho  para o bem da sua comunidade.

Saudações Rotarias
José Carlos Oliveira



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Era uma vez um Presidente Indicado



Não venho procurar unanimidade, (sempre que fui escolhido, fosse para o que fosse, quase nunca foi por unanimidade) venho opinar, uma vez que sinto estar a dobrar o Cabo das Tormentas.

Companheiro Presidente Indicado, note  bem o que lhe vou dizer:

1º Se não notou ainda, chamo agora a sua atenção para a excelente frase de Goethe com que principia sempre a série de artigos “Tradição e Renovação” deste ano.  Todos sabem que sem o trabalho da Abelha não existe mel.

Pode o companheiro  alegar que não tem talento para exercer o cargo. A maior parte de nós não tem.  O conceito de sucesso inerente ao cargo, pode ser traduzido pela sabedoria política da arte do diálogo, que tem como objectivo o respeito mutuo, ou então… Quem dialoga, não apenas ouve, mas interpreta, insinua, influência, por vezes impõe e até deturpa.

 Não é necessário vir para Rotary para aprender algo sobre a filosofia do Respeito. Será que esquecemos o Respeito que devemos ao nosso Pai e à nossa Mãe? Ainda hoje é corrente dizer-se que quem dá o pão (houve tempo em que se dizia “Pau”) dá a criação . Era  o nosso Pai.  Da nossa Mãe podemos dizer o mesmo. Nossa Mãe não foi a que nos pariu, foi a que nos criou. Felizes daqueles que numa só  Mãe tiveram as duas.

Você, como Presidente indicado vai ter de aprender que não passa de uma criança aos olhos dos veteranos. Antes de atingir o patamar de presidente eleito continuará como subalterno. Depois, antes de aceder aos “Montes Golan ”, deverá praticar (ser iniciado) como secretário, para vir a colocar-se na posição de começar a presidência do seu clube. O espírito do nosso Clube tem similitudes com os outros “Rotary Clubs”, onde se exerce o culto da nossa tradição nacional. Rotary Internacional tem um cuidado muito especial com esse princípio.

O companheiro vive da sua profissão e para a sua profissão.  É através dela que exercerá o seu espaço de Presidente dentro do clube. Não é por acaso que nos classificamos em Rotary através das nossas profissões. Será por aí que deverá ser útil dentro de Rotary. Ande, explore o valor da sua profissão. Quantas vezes teve de chegar a meio de uma Tarefa e  cheio de pena  voltou atrás?  Não, não perdeu o seu tempo, nem o trabalho estava mal feito. O que aconteceu é que o caminho não era aquele.  Nada melhor que exercer a sua presidência comparando-a com o que sempre gostou de ser: Um homem maduro.

Não se prepare para desilusões, prepare-se para se desviar dos obstáculos imprevisíveis. Mas como? Dou-lhe  dois exemplos:
Dizem os valentes transmontanos, quando afirmam: “para lá do Marão mandam os que lá estão”, e, apesar disso, logo a seguir recomendam: “quando o pau é desigual mais vale fugir do que ficar mal.
Por outro lado, experimente comportar-se como o rio, não tente vencer a montanha, simplesmente finja que não a vê, contorne-a.

Vai estar (pensa o companheiro) um pouco só no “Deserto”.   Está bem. Ainda assim, continuo a acreditar na colaboração, na cooperação, apesar de não ignorar que a nossa vida é uma luta constante, com bastantes confrontos e alguns conflitos.


Saudações Rotarias
José Carlos Oliveira




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Olá Secretário, Muito se engana quem cuida


Mário Soares assina documento de adesão à CE

Como nota de abertura desta conversa aqui ficam algumas dicas acerca do termo genérico “Secretário” e das suas funções. Etimologicamente a palavra “secretário” significa a pessoa a quem são confiados os segredos e confidências de um superior. 
A profissão de secretário existe desde a Dinastia Macedônica. Neste período, os profissionais atuavam tanto no exército de Alexandre Magno como também eram os responsáveis pelo registro dos feitos em batalha. Nesta época o profissional acompanhava líderes, altos coman-dos da sociedade. Sua maior característica: a fidelidade, a cautela no tratamento de informáções.

 Dominando a escrita, o secretário tinha acesso ao conhecimento. E este necessitava de uma multiplicidade destes, pois atuava tanto como assessor como gestor para seus superio-res. Seu perfil era de alguém com habilidades diversas como idiomas, literatura e história.

Os escribas foram os primeiros secretários “de facto” da história, pois não atuavam em exércitos. Estes formavam uma profissão especializada, com conhecimentos em matemática, contabilidade, processos administrativos, entre outros. Entre as diversas habilidades, uma ca-racterística era de suma importância: a confiabilidade. O estudo da origem da profissão serve para conhecer as habilidades inerentes ao profissional. Apesar do passar dos anos, o secretário ainda é tido como aquele no qual se pode confiar. Além disso, através deste estu-do é possível tentar compreender o presente, como o domínio das mulheres no mercado de trabalho ou o preconceito contra o profissional.

Nicolau Maquiavel, na sua obra “O principe” diz-nos que “… E a primeira conjectura que se faz da inteligência de um senhor resulta da observação dos homens que o cercam; quando são capazes e fiéis, sempre se pode reputá-lo sábio, porque soube reconhecê-los competentes e conservá-los…” 
Posto este preambulo devo dizer que um fraco secretário. Teria sido um pouco melhor se não tivesse que me apoquentar com um trabalho que durava há vinte anos. Bem, isso não importa, porque se trata de um rosário de um louco. O que é facto é que fui ajudado pelo meu presidente. 

Atribuições do secretário:

Diz o manual do secretário que a sua principal atribuição é ajudar o clube a funcionar eficaz-mente, especialmente por ajudar o seu presidente a ampliar ou a manter estável o quado social do seu clube. Cabe ao secretário implementar os projectos que estão na forja do ano em curso. Apoiar lideres capazes de servir o seu clube, recebendo deles injformações do conselho director, das comissões do clube, dos sócios, do governador assistente, do Rotary Internacional e da Rotary Fundacion, tudo isto para beneficio do clube. 

É recomendável que o secretário analise as tendências das actividades realizadas pelo clube de modo a identificar os pontos fortes e fracos deste e a comunicar tal conhecimento aos outros líderes do clube, visando a tomada de medidaspertinentes. teho consciência que fiz muito pouco, e o que fiz, oi falando e escrevendo umas ezes falando e escrevendo a sério e outras a brincar de coisas que irritaram alguns alegraram outros e ainda entristeceram outros, ou muito simplesmente puseram outros a dormitar. Tenho consciência que fiz muito pouco, e o pouco que fiz, foi es-crevendo ou falando a sério e outras tantas a brincar de coisas que irritaram alguns, ale-graram outros ou ainda entristeceram os restantes. Enfim, muito simplesmente puseram outros a dormitar durante as reuniões.

Muito se engana quem cuida


Saudações Rotarias
José Carlos Oliveira


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

PROCURA-SE TESOUREIRO, De preferência “Bem Vivo”

Solicita-se a quem não se encontre nestas condições o favor de não responder



Reconheço que não é a forma mais ortodoxa de solicitar a um companheiro, que integre um Conselho Director como tesoureiro. Basta ter consciência, enquanto presidente, do trabalho exigido ao Tesoureiro do clube durante o ano, para saber que não é fácil encontrar alguém que esteja disposto a exercer o cargo. 

Enquanto companheiro Presidente em exercício, sei que estou a aprender, por isso, procurei para meu Tesoureiro alguém com traquejo justificado. Uma coisa é certa, um Tesoureiro não faz o seu lugar com “Blà Blá”. O cargo é trabalhoso. Por exemplo, tem em mente incentivar os seus companheiros a cooperarem em campanhas de angariação de fundos, para as iniciativas do seu ano rotário, procura lembrar a necessidade permanente de encontrar patrocinadores que desejem colaborar nas iniciativas do plano anual. Procura que o Conselho Director tome consciência da estabilidade económica através de uma forma muito especial de lembrar aos companheiros em dívida (e está a fazê-lo) que actualizem as suas cotizações do modo a garantir o normal funcionamento do orçamento apresentado em colabo-ração com o Conselho Director, tendo em atenção as orientações deste órgão, de acordo com as reais possibilidades da tesouraria.

Sim, tudo isto é muito bonito, mas onde está o tempo e disposição, se este mesmo tesoureiro passa o dia todo à volta dos problemas dos seus próprios clientes? Tomáramos nós que ele vá apresentando as contas em dia.

Quem, melhor do que ele, sabe o que é um orçamento de tesouraria? Então alguém ligou importância quando ao fim de seis meses ele apresentou as suas preocupações de tesouraria traduzidas em números?

Companheiros,  tanto quanto sei, o conceito dos primeiros Orçamentos que se têm notícia eram os chamados orçamentos tradicionais, que se importavam apenas com o gasto (ênfase no gasto). Eram meros documentos de previsão de receita e autorização de despesas, sem nenhum vínculo com um sistema de planejamento empresarial. Simplesmente fazia-se uma estimativa de quanto se ia arrecadar, e decidia-se o que comprar, sem nenhuma prioridade ou senso distributivo  dos recursos óbtidos. Este conceito evoluiu ao  longo da história para um conceito de Orçamento-Programa, segundo o qual o Orçamento não era apenas um mero documento de previsão da arrecadação e autorização do gasto, mas um documento legal que devia conter programas e ações vinculados a um processo de planejamento das contas, com objectivos e metas, a alcançar no exercício do ano a que diz respeito.  O nosso tesoureiro, melhor do que ninguém sabe, pelas contas que apresenta, se devemos corrigir as falhas, as distorções e alguns “abusos”. Ele é, enfim, um pilar primacial de toda a organização pública ou privada do nosso clube.
Saudações  Rotárias
José Carlos de Oliveira